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Ilha de Isaula

Abro os olhos, o sol entra pela cela, já fazem sete anos de prisão aqui nesta ilha isolada.
Ilha de Isaula!
Vejo o mar ao longe, o voo dos pássaros.
Minha embarcação ainda lá ancorada.
A espera em vão de seu capitão.
Foram tantas viagens.
Oh minha doce embarcação!
Oh maldita Isaula!
Ilha dos descrentes. Prisão dos sonhos.
Não houve juiz.
Nem executor.
Pior sentença foi dada por mim.
Fui executor.
Fui juiz.

Sentimento, força da madeira do casco.
Sonhos, vento que empurra as velas.
Certeza!
Sim certeza onde me colocava no Tombadilho a comandar o leme.
Imponente uniforme azul, meu chapéu de Capitão, sorrisos e determinação.

Qual foi o porto que a tudo findou?
Será o mesmo que me faz navegar?
Segue o cárcere nesta prisão.
Segue o coração descrente.
Segue a embarcação a sangrar.

Ouço o canto melancólico das sereias com saudades.
Oh minha doce embarcação!
Oh maldita Isaula!
Prisão que passa o tempo, mas não as feridas.
Prisão que deturpa o sentimento imaculado.
Como imaculadas eram as estrelas a indicarem minha navegação.

Onde estarão os sonhos?
Onde estarão as certezas?
Prisão inviolável na ilha de Isaula.
Onde as grades são as incertezas.
As paredes a descrença.
Olhando as paredes escritas datando por volta de 1700.
Lá escrito estava:

“A esperança me resta, pois as ondas ainda batem nas pedras.”

A água é movimento.
Das noites tristes o dia vem reinar.
O sol ainda brilha.
O olhar desesperado pelas grades prova.
O coração ainda ama.
As flores na Ilha de Isaula ainda possuem cheiro.
Será a salva dos canhões?
Lendo sinto que sim!
Rodrigo Donvilla
Enviado por Rodrigo Donvilla em 23/05/2020
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